Rodrigo Fernando's posts with tag: fotografia

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Blog EntryAtualizações do Câmara Obscura 3Sep 23, '07 11:36 AM
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Blog EntryAtualizações do Câmara Obscura 2Jun 25, '07 7:58 AM
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Caros amigos,

Venho mais uma vez informá-los sobre os novos conteúdos do Câmara Obscura e convidá-los para uma visita.

Artigos e notas
Uma câmera obscura (autoria de Eduardo C. Costa)
II Bienal de Arte Fotográfica Brasileira - 1962
A armadilha da qualidade
Uma foto: texto e contexto
O Fotoclube F/508

Séries de fotos
Urbanas polarizadas
Díspares

Blog EntryAtualizações do Camara ObscuraMay 24, '07 9:37 PM
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Caros amigos,

Quero convidá-los para visitar o Camara Obscura, que vem andando a todo vapor desde que deixei de postar aqui no Multiply (que venho acompanhando como sempre). O site, voltado à fotografia mas aberto a outros tipos de manifestação artística, tem contado com alguns pitacos do Ivan de do Fernando. Selecionei alguns conteúdos que podem ser de interesse:

Artigos
O paradigma das teleobjetivas
Distância focal e corte
O vácuo da mediocridade
Subversão da fotografia: “cubismo”
Maneiras não-ortodoxas de melhorar suas fotos
Pós-processamento e criação

Séries de fotos
Novas fotos
Fugas

Abraços a todos,
Rodrigo

Blog EntryDigital x filme: aprendizadoApr 2, '07 9:09 AM
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Quando alguém diz que está iniciando na fotografia e gostaria de saber como começar, sempre pergunta se deve comprar uma câmera analógica ou tenta juntar mais dinheiro para adquirir uma máquina digital. A resposta, geralmente, é que a digital proporcionará um aprendizado mais rápido. Por outro lado, a maior parte dos cursos de fotografia ainda empresta ou recomenda câmeras mecânicas como a Pentax K1000 para seus alunos.

Com uma câmera digital que tenha possibilidade de ajustar manualmente foco, abertura e tempo de exposição, ainda que não seja uma reflex, um iniciante poderá executar rapidamente os exercícios mais básicos da técnica fotográfica. Esses exercícios envolvem principalmente a determinação de uma exposição "correta" e alguns efeitos provocados pela variação desses fatores (como congelar ou borrar o movimento, aumentar ou diminuir o desfoque das áreas fora de foco etc.). É indiscutível que, ao fornecer o resultado imediato, o sistema digital permite a assimilação desses conceitos de forma muito rápida. Uma outra vantagem é que as fotos digitais contêm dados relativos aos ajustes realizados, possibilitando a conferência e associação com o resultado visto na foto. Se, para o mesmo fim, fosse utilizada uma câmera analógica, seria preciso anotar os dados a cada foto, terminar o filme, mandar revelar e só então ter o resultado. Quantas pessoas que você conhece se disporiam a fazer isso hoje?

Outro argumento em favor das digitais é que o filme envolve gastos, ao contrário da digital, que não teria custo por foto. Esse argumento, ao meu ver, tem um certo risco, pois a pessoa pode simplesmente desistir da fotografia, e terá um equipamento caro em mãos para passar pra frente (já desvalorizado). Uma analogia: quando uma criança quer aprender a andar de bicicleta, não compramos para ela um modelo de liga leve com 35 marchas e tudo o que tem direito. Compramos uma simples e, se ela aprender e realmente gostar, aí sim ela pode passar para algo melhor. Em fotografia isso seria: "compre uma Zenit por R$ 100, gaste mais uns R$ 100 em filmes e revelação e veja como se sente". Se a pessoa gostar, ótimo, se não gostar, uma Zenit parada no armário não dói tanto assim.

Um outro ponto, este dos mais aficcionados por tecnologia, diz que não vale a pena aprender com um equipamento ultrapassado e que a tendência é que o filme deixe de existir em breve. As vendas de câmeras digitais aumentam, laboratórios fecham etc. O problema é que muitas vezes a forma de ver o mundo da classe média é de olhar para o próprio umbigo e generalizar, sem perceber a coisa como um todo. Um dia desses estava num ônibus e entrou uma senhora, com seus trinta ou quarenta anos. De uma sacola, ela tirou um carnê das Casas Bahia e uma caixa com uma câmera fotográfica. Analógica, compacta, que deve ter custado menos de R$ 90. Toda feliz, mostrava o equipamento para sua amiga. Essa senhora vai usar muitos filmes, e sabe-se lá quando vai ter uma câmera digital. Segundo o IBGE, mais de 80% dos domícilios brasileiros não têm computador, e 55% da população sequer usou um em toda a vida. Embora seja uma estatística triste, mostra que esse é o mercado potencial da fotografia analógica no Brasil. E pode-se imaginar que, por conta disso, as caixinhas amarelas e verdes continuarão penduradas ao lado das registradoras nos supermecados por um bom tempo. A tão falada revolução digital não chegou ainda para 4/5 dos brasileiros.

Estava pensando nessa questão toda e percebi mais um detalhe. Quando se entra em galerias online como o PBase e o Fickr, a qualidade das fotos — desconsiderando a questão da qualidade da imagem e pensando em conteúdo, composição etc — daqueles que fotografam com filme (ainda que também usem a digital) parece muito maior, em termos gerais. Sempre que queremos achamos exemplos do contrário, mas, generalizando, essa foi a minha impressão. Perguntei ao Ivan o que ele achava, e veio a resposta:

"Provavelmente porque quem fotografa com filme hoje tem um nível médio superior ao de quem fotografa com digital, e mais ainda, é alguém capaz de seguir um caminho menos fácil, isso tudo revelando uma personalidade mais capaz de lidar com a fotografia para além da operatividade e dos modelões. Não é que o filme faça pensar melhor, isso ele não faz, aliás, é o contrário, a digital é que faz pensar melhor devido ao feedback. É que os que buscam o filme já pensam melhor –risos. Já são pessoas mais articuladas, etc. Por exemplo, imagine as pessoas que fazem Cianotipia. Elas já partem de um nível de exigência de resultado muito acima do cara do pôr-do-sol, então é claro que o nível médio da Cianotipia é ótimo."

Considerei a resposta do Ivan bastante coerente e assino embaixo. Contudo, a questão do aprendizado não foi consensual entre nós. O que acho é que uma câmera digital é realmente fantástica para o aprendizado técnico de como fazer uma fotografia. Mas o filme traz um refinamento na relação com a fotografia que acrescenta muito ao fotógrafo que "já sabe fotografar". Alguns elementos contribuem para isso, como a espera, tensa, pela revelação. Sabe-se que o momento já foi e, até termos o filme processado em mãos, não sabemos se de fato conseguimos o que pretendíamos. Lidar com a foto como um objeto físico (em vez de vê-la no monitor) é outra forma de aprendizado, pois entendemos que não dá pra controlar tudo. E o mais importante para mim é a imaginação. Quando usamos filme, só podemos imaginar como a foto vai sair. A fotografia não é uma cópia da realidade, e todas as variáveis que interferem no resultado precisam ser imaginadas na hora do clique. Se temos um rolo de filme preto e branco, precisamos modificar aquilo que vemos através do prisma. Da mesma forma que com um cromo, realçando as cores do mundo. Todos os ajustes que fazemos na câmera precisam ser antevistos. Essa é uma das maravilhas da fotografia, e o refinamento que essa experiência traz dificilmente é atingida através de outros meios.

E, embora, sim, a digital seja fantástica para o aprendizado, invariavelmente os amantes de fotografia buscam também o filme, seja pela qualidade visual do resultado, seja por essa experiência quase mística de imaginação e espera.

Foto: the other Martin Taylor

LinkChoose FilmMar 18, '07 12:32 PM
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Link: http://choose-film.com/

Site da Fujifilm voltado para os usuários do filme. Uma boa iniciativa: ponto para a Fuji, enquanto a Kodak descontinua seus filmes na surdina...

Blog EntryFaixa "Eu uso filme"Mar 18, '07 11:11 AM
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Peter Robinson, do blog The Online Photographer, criou uma imagem que simboliza o uso de filme para uso em websites. A idéia é mostrar que ainda há usuários de filme e que o digital não é a única alternativa para os que estão ingressando na fotografia. Como eu concordo com essa idéia, coloquei a faixa na minha página de entrada. Robinson disponibilizou a imagem em vários tamanhos em seu site.

ReviewReviewReviewReviewTanque de Revelação Jobo 4324Mar 16, '07 11:52 AM
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Category:Other
Quem gosta de revelar os próprios filmes em casa sabe que a etapa mais chata — e potencialmente mais probelmática — é colocar o filme na espiral. Como esse processo deve ser feito no escuro, várias coisas podem dar errado, como, por exemplo, deixar o filme encostar nele mesmo, o que provoca manchas e destrói vários quadros.

Quando meu amigo do Sampa Foto Clube, o Cláudio, me emprestou esse tanque, o processo ficou ridiculamente fácil. Primeiro, porque pode ser feito no claro, segundo, porque não é preciso colocar manualmente todo o filme na espiral.

Funciona assim: coloca-se o cassete do filme na parte interna da espiral e puxa-se a ponta do filme, que é encaixada em ganchos na espiral superior e inferior. Fecha-se o tanque com a tampa intermediária e, num movimento com a haste do meio, o filme vai sendo empurrado para fora e preenchendo a espiral. Quando ele acaba, a haste é movida para baixo, cortando o filme. Em seguida, é só colocar os químicos e fazer a revelação, fechando o tanque com a tampa de cima. Não tive problemas nenhuma vez.

Como pontos negativos, o fato do tanque ser muito grande, então a quantidade de químico para ter certeza de que o filme está coberto é maior; a segunda é que, pelo que li, o filme pode empenar se a espiral não estiver muito bem seca na hora da inserção.

Vale muito a pena para quem quer revelar filmes com pouco trabalho e sem necessidade de habilidades manuais.


Blog EntryFalando de fotosMar 12, '07 1:51 PM
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Na última semana, passei por duas experiências relativamente novas, ambas relativas à leitura e apreciação de fotografias.

A primeira foi a reunião de estudo fotográfico realizada pelo Sampa Foto Clube. Nos reunimos com os sócios no Centro Cultural Vergueiro e tivemos a presença do Luiz Gianini e do Bento Bueno, que colaboraram bastante com a discussão. Foi interessante estar cara a cara com os autores, entender suas motivações, impressões e intenções embutidas em cada uma de suas fotos. A reunião permitiu a todos manipular as cópias impressas, questionar, debater. O encontro ainda pode ser melhorado, mas foi um passo importante para a consolidação do clube na arte fotográfica, após a exposição que organizamos.

A outra foi a minha participação como juiz no Concurso de Fotografia do Digiforum, que contou com vários profissionais importantes da área. Teve uma organização primorosa do Celso e do Oduvaldo, administradores do espaço, e uma premiação interessante. Os planos são de que os próximos concursos sejam ainda maiores. Foi difícil julgar as fotos, pois, apesar do tema único, os trabalhos apresentavam uma grande variação relativa ao domínio da técnica e da fotografia como forma de expressão. Contudo, os juízes de forma geral fizeram os comentários que foram necessários, e acredita-se que isso seja importante para o crescimento da comunidade. Fico grato à organização pelo convite.

O endereço do site do Sampa Foto Clube é www.sampafotoclube.com.br e o do Digifroum é www.digiforum.com.br

Foto: André Gusmão

Blog EntryO paradigma das teleobjetivasFeb 28, '07 5:38 PM
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Artigo originalmente publicado no site do Sampa Foto Clube.
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Ao longo da evolução da fotografia, houve uma transferência da predominância das grande-angulares para as teleobjetivas. Na época das rangefinders, as lentes com grande distância focal eram problemáticas, por questões de construção e paralaxe. A popularização das câmeras reflex de 35mm trouxe um certo equilíbrio a esse panorama, já que permitia o uso desde de lentes olho-de-peixe como de teles longas. Hoje, com a fotografia digital, a balança está pendendo para as teles.

Atualmente, como a maioria das câmeras digitais tem um fator de corte em relação ao formato do filme, uma vez que os fabricantes apostam no modelo híbrido de câmera reflex, que usa os mesmos encaixes das câmeras analógicas, a grande-angular saiu perdendo. Uma lente de 50mm agora tem o ângulo de visão de uma 75mm numa Nikon ou Pentax e 80mm numa Canon. E a visada que antes se conseguia com uma 24mm necessita de uma lente de 16 ou 15mm, com claros prejuízos aos fotógrafos: qualidade ótica inferior e custo astronômico.

Não precisamos ficar no campo das reflex para constatar o desequilíbrio: as câmeras compactas e superzooms, como o próprio nome diz, querem atrair o consumidor com distâncias focais máximas equivalentes de até 400mm, para "aproximar" o assunto. Só que há pouquíssimos modelos de câmera nesse segmento com distância focal inicial menor que 35 ou 36mm. A grande-angular foi sacrificada e o ângulo de visão 28mm, comum em muitas lentes para as analógicas, é raro entre as máquinas com lentes fixas.

O resultado desse novo paradigma do mercado é uma linguagem específica da tele, que envolve o corte agressivo, achatamento dos planos, destacamento do assunto em relação ao fundo pelo enquadre e pela profundidade de campo curta. Como a composição acaba ficando fácil, sem muitos elementos, já que o fundo é seccionado e borrado, as fotos tendem a apresentar um visual límpido e asséptico, que pode ser tomado como qualidade, ainda mais quando associado à pasteurização típica — e também já quase paradigmática — do digital.

Um outro resultado, mais contundente no que se refere ao ato fotográfico, é o distânciamento do fotógrafo em relação ao assunto. Pode-se fazer um retrato a metros de distância. Portanto, ao contrário do que o senso comum diz, as teles não aproximam: elas afastam o assunto. E o contato entre o fotógrafo e o fotografado é reduzido, ou simplesmente não existe.

Para ilustrar um pouco do caminho oposto, ou seja, da aproximação — real e não através da lente — pedi ao Ivan de Almeida retratos feitos com grande-angulares, e ele gentilmente me disponibilizou duas imagens. Ainda que tenham o crop das reflex digitais, essas fotos mostram o contato e a cumplicidade implícitos entre o fotógrafo e o fotografado.



Percebe-se que, nesses retratos, as pessoas estão envolvidas pelo seu ambiente. Embora seja mais difícil o arranjo dos elementos do fundo sem a artimanha do desfoque e do corte, toda essa contextualização torna a cena muito mais interessante, uma vez que é mais complexa e dá mais chance à narrativa. Além da qualidade estética do arranjo formal, as fotos ainda registram a presença do fotógrafo, também imerso nesse mesmo mundo. Claramente uma linguagem muito distinta das teles.

Mais uma vez, não escrevo a fim de desqualificar um tipo de linguagem ou atuação. Como sempre, meu texto tem como intuito fomentar a reflexão e a discussão sobre alguns elementos da fotografia que podemos não perceber de pronto, mas que podem ser valiosos ao tomarmos consciência de sua existência. Há muitos que utilizam as características das teleobjetivas que citei aqui para produzir trabalhos muito interessantes. Como exemplo, destaco a série "Incomunicabilidade", de Gregório Graziosi, cujo recorte das formas urbanas e o isolamento dos sujeitos jogam a favor da idéia que o autor busca com suas fotos.

Para aqueles que tiverem interesse, resolvi criar um grupo no Flickr para envio de fotos feitas com 28mm ou menos e discussão sobre o tema, já que não existia nenhum em língua portuguesa. O endereço é http://www.flickr.com/groups/44219001@N00/.

Foto topo da página: Dennis Taufenbach

Blog EntryObrigado, AlexFeb 15, '07 7:24 AM
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Prometi a mim mesmo que não queria voltar a falar de equipamento, mas quando meu amigo Ivan me apontou um artigo que eu já lera há alguns meses, não resisti.

Logo me veio à cabeça a pergunta: "quero me tornar um profissional, que equipamento eu preciso?". E a invariável resposta: "uma DSLR".

Deixe-me então apresentá-lo ao céu fotográfico profissional: a agência norte-americana Magnum Photos, que reúne, há décadas, grandes expoentes da fotografia. Foi fundada em 1947 por ninguém menos que Robert Capa, Henri Cartier-Bresson, George Rodger e David Seymor. Os fotógrafos da Magnum cobrem desde guerras até ensaios em estúdio.

Agora, imagine o equipamento que o cara precisa ter pra fazer parte de uma agência dessas. Provavelmente uma ou duas reflex full-frame e toneladas de lentes. Ou não.

Alex Majoli, 36 anos, membro da Magnum desde 2001, esteve em Kosovo, no Afeganistão e no Iraque. Seu equipamento? As câmeras Olympus C-5050, C-5060 e C-8080, todas com lentes fixas, com os imprestáveis pequenos sensores e isos altos das compactas.

O fotógrafo aprimorou sua técnica a fim de utilizar o melhor dessas câmeras: a grande profundidade de campo. Ele compõe primeiros planos próximos e fundos distantes em combinações extremamente bem equilibradas, e que mostram uma maneira de ver o mundo muito diferente daquela fornecida pelas fotos obtidas com câmeras reflex a que estamos acostumados no fotojornalismo.

Outro elemento que Alex explora em suas coberturas é o fato das câmeras serem extremamente silenciosas e o visor lcd escamoteável permitir fazer fotos sem colocar a câmera na frente do rosto. "As pessoas não percebem que estou tirando fotos", diz ele. "É fantástico. Fantástico."

Além disso, Alex já fez ensaios de estúdio e fotografou para a National Geographic com point-and-shoots. "O cliente fica satisfeito e não se preocupa com a câmera que eu usei."

Duas de suas fotos:
http://www.robgalbraith.com/data/1/rec_imgs/741_majoli_02.jpg
http://www.robgalbraith.com/data/1/rec_imgs/742_majoli_05.jpg

Recomendo a todos que entrem no site da Magnum e confiram o seu portifólio (é necessário registrar-se).

Alex nos mostra que, numa área em que amadores procuram ao máximo imitar uma estética publicitária de fundos desfocados e isos altos sem ruído, há aqueles que vão muito além disso e permitem que vejamos o mundo de diferentes formas. Obrigado, Alex.

Fontes:
http://www.magnumphotos.com
http://www.robgalbraith.com/bins/multi_page.asp?cid=7-6468-7844

EventExposição São Paulo: a Cidade e sua GenteJan 11, '07 6:15 AM
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Start:     Jan 18, '07 09:00a
End:     Jan 31, '07 4:00p
Location:     Casa de Cultura da Penha
O Sampa Foto Clube, do qual participo, realizará uma exposição de fotografias comemorando o aniversário de um ano de sua fundação, juntamente com os 453 anos da cidade de São Paulo. Os sócios do clube registraram cenas da população paulistana em sua interação cotidiana com os espaços públicos do município, a fim de mostrar as características explícitas e implícitas do dia-a-dia na nossa cidade.

CASA DE CULTURA DA PENHA:
Largo do Rosário, 20 - 3º Andar – Penha

Horário de funcionamento:
Segunda à Sexta das 9 às 21h,
Sábados das 9 às 16h.

Telefone: (11) 2296-6172.

Category:Books
Genre: Arts & Photography
Author:Millard W. L. Schisler
Um guia completo sobre revelação, explicando desde os conceitos teóricos envolvidos até o detalhamento de técnicas avançadas para revelação de filme e papel. Por ser um livro relativamente novo (cerca de 10 anos), ele contém informações sobre produtos que ainda existem no mercado, como químicos e filmes. Algumas informações no meio de livro podem ser difíceis de achar, o que é compensado pelo apêndice, com tabelas e informações sobre produtos e procedimentos.


Blog EntryConsumo, logo existoDec 25, '06 8:53 AM
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Como psicólogo, fico um tanto impressionado com a questão da identidade pessoal. Sem entrar muito em nenhuma teoria mais complexa, vendo identidade apenas como aquilo que vemos e pensamos de nós mesmos. O que me impressiona é a freqüência com que recorremos ao consumo, e aos materiais consumidos, para compor nossa identidade.

Já sabemos como essas coisas funcionam. Uma mulher pode pagar milhares de reais para poder ostentar uma bolsa Luis Vuitton, um homem pode fazer o mesmo para vestir um terno Armani. Mesmo um adolescente se presta facilmente de outdoor ambulante, ao vestir com orgulho uma camiseta com uma determinada marca, ou com o nome de uma banda.

Mas vamos nos restringir à fotografia, que tem sido o objeto de discussão nesse espaço. Não me chama atenção o fato das pessoas terem suas câmeras, gostarem delas e tudo mais. O que me impressiona é p fato das pessoas defenderem as marcas que usam como se fosse parte de si mesmos. É comum que se definam como usuários de determinada marca, como se aquilo fosse, de fato, um definidor de sua identidade. Muito disso é feito em tom de brincadeira. No entanto, é uma brincadeira tão freqüente que fica evidente que as pessoas realmente se preocupam demais com isso.

Nos fóruns, pode-se até xingar a mãe do outro, mas isso não será visto como uma ofensa tão mortal quanto falar mal da cãmera alheia — alguns têm até regras contra isso ou salas específicas para esse tipo de "brincadeira". As assinaturas geralmente contêm o equipamento que se utiliza. Ok, considera-se que seja útil saber como a pessoa faz suas fotos (outro ponto questionável, mas que não abordarei agora), mas o fato é que a assinatura nos identifica perante a comunidade e somos identificados pelo que temos, não pelo que pensamos ou fazemos.

Já vi pessoas relembrando sua trajetória fotográfica. Dez por cento falam sobre a forma como sua visão e sua concepção da fotografia foi mudando, olhando de perto sua produção em suas características, congruências e dissonâncias. Os outros noventa por cento dizem: comecei com uma câmera X, passei para a máquina Y, tudo mudou quando adquiri a lente Z, agora busco um equipamento n. É claro que a fotografia de uma pessoa pode mudar muito em função do equipamento, mas a questão é se o equipamento se submete às necessidades da fotografia ou a fotografia se submete às necessidades de se ter um equipamento.

Vejo que se troca de câmera muito rapidamente (para felicidade dos fabricantes, que além de terem defensores ferrenhos de suas marcas, têm consumidores para qualquer bugiganga nova que lançam no mercado), mas são poucos os casos em que se extrai o máximo do equipamento e aí percebe-se que com um diferente se pode fazer mais. Curiosamente, percebo que a troca faz mais sentido entre os que têm equipamentos simples, muito limitados, e querem mais possibilidades, do que entre os que têm equipamentos médios e de ponta, que na prática fazem a mesma coisa.

Há algumas pessoas, no entanto, fazendo um movimento muito interessante de auto-limitação, ao dispensar a tecnologia e fotografar com lentes manuais, lentes fixas, câmeras compactas, ou até mesmo voltando a usar o filme. Não que esse seja o único caminho, mas mostra que existe também uma preocupação com a fotografia, e não com o como se faz, que inevitavelmente cai na supervalorização da máquina.

Numa sociedade que valoriza muito o consumo, deslumbra-se com a ostentação e é tão desigual como a nossa, identificar-se com o que se possui serve como uma luva. Caímos muito facilmente na armadilha publicitária de que somos o que consumimos e, para sermos mais e melhores, devemos consumir mais e melhor. Entretanto, para aqueles que gostam de fotografia (fotografia mesmo), a frase de Ralph Gibson diz tudo: "Hoje, basicamente ando pelo mundo só com uma câmera, uma lente 50 mm e muitos filmes. Acho que é só disso que precisamos."

Blog EntryTroca de câmera e papo na 7 de abrilDec 16, '06 3:36 PM
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A Zenit 12XP começou a dar alguns problemas. Aparentemente, o espelho não estava levantando em algumas fotos, ficando o quadro em branco. Fazendo algumas fotos pelo centro, o espelho não levantada mais. Eu e a Tati resolvemos levar na loja em que compramos, e chegando lá ela voltou a funcionar. "Aqui ela fica com medo", comentou o vendedor. Mesmo assim, preferimos trocar a Zenit por uma outra câmera que aceitasse objetivas M42 e estivesse menos propensa a problemas. Ele nos apresentou a clássica Pentax Spotmatic SPII e a Yashica TL Electro.

Acabamos ficando com a Yashica, que era 100 reais mais barata do que a Pentax. Lendo depois na web, descobri que a escolha deve ter sido boa, pois é quase um clone da Spotmatic: a única diferença seria o fotômetro, funcionando por leds, ao contrário da agulha usada na Pentax. Embora eu preferisse a agulha, um dos sites coloca que ela é frágil e eventualmente quebra.

De resto, o funcionamento é o mesmo da Zenit e da Spotmatic: faz-se o foco e em seguida aciona-se o fotômetro por uma chave lateral (na Zenit ele era acionado pressionando-se o obturador até a metade); os leds acenderão indicando a exposição alta, baixa ou a correta e o diafragma se fecha, podendo-se ao mesmo tempo em que é feita a fotometria, conferir a profundidade de campo. Tira-se a foto pressionando-se o disparador.

A Helios 44M-6 acabou ficando na loja junto com a Zenit. Embora fosse uma boa lente, preferi trazer a original Yashinon 50mm 1.9, pela distância focal. Os 58mm da Helios estavam se mostrando ligeiramente longos por ser a única lente da câmera (o que pode até ter sido um pouco exagerado pelo corte agressivo do visor da Zenit). Portanto, enquanto não compro uma grande angular, preferi ficar com a versatilidade dos 50mm. Assim que fizer testes com a lente coloco aqui; se for muito pior do que a Helios, é só voltar e fazer a troca.

Conversei um pouco com o dono da loja, que fica numa galeria na região da 7 de abril. Ele comentava da dificuldade em vender câmeras de filme. Mostrou uma Nikon F100, que precisaria passar com um conserto de 300 reais apenas para colocar uma molinha do auto foco, pois era necessária a abertura da câmera pela parte traseira. E completou: "essa câmera eu vendia por mais de R$ 4000 no ano passado. Hoje, por R$ 1500, não consigo vender". Sobre a migração de sistemas, disse: "os profissionais estão todos migrando para o digital. O pessoal só quer saber de D200." "E as médio-formato?", perguntei. "Os back digitais ainda são muito caros, e o pessoal de estúdio usa muito." Ele balançou a cabeça. "Também não. Tenho Mamiya por 1000, 800 reais. Não vende."

Profissionais geralmente querem câmeras que façam o serviço, e ultimamente o sistema digital faz o serviço muito bem. Parece que as câmeras de filme estão ficando apenas para aqueles que, como eu, fotografam por prazer, sem a necessidade de processamento e edição rápidos e que não sofrem o custo do filme e das revelações diretamente no rendimento do trabalho. A tendência é que os preços das câmeras analógicas permaneçam baixos, ou caiam mais ainda.

Mas há algumas distorções estranhas nesse mercado. As Nikon e Pentax são supervalorizadas, especialmente alguns modelos tidos como especiais. O caso da Spotmatic é um deles; outro é o das K1000 ou da Nikon FM2. Outros modelos clássicos como as Canon série A e Olympus OM também têm valores diferenciados. Na verdade, eles não custam caro, pela qualidade e pela durabilidade. Contudo, fica difícil justificar esses preços num segmento em que boas câmeras dificilmente são vendidas por mais de R$ 300.

P.S.: Havia uma fantástica Yashica Electro 35 à venda por míseros 70 reais. Isso porque a sua bateria custa por volta dos 50 reais, quando encontrada. Abaixo estão algumas fotos da Yashica TL Electro que substituiu a Zenit.



Blog EntryA Fotografia como Comportamento VerbalSep 26, '06 3:58 PM
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B. F. Skinner dizia que era possível uma ciência (e conseqüentemente, uma tecnologia) do comportamento humano. Querendo ou não, estamos sujeitos a agências controladoras e, ao estudar formas de controle, podemos encontrar maneiras mais efetivas e éticas de nos relacionarmos com tais agentes.

O pensamento defendido por Skinner denomina-se Behaviorismo Radical. Suas idéias, pelo caráter pragmático e científico, são freqüentemente alvo de críticas e interpretações errôneas.

Basicamente, o autor coloca que os nossos comportamentos são selecionados pelo ambiente de forma semelhante ao que ocorreu durante o processo evolutivo das espécies. Por isso, as causas do nosso comportamento estão na nossa relação com o ambiente externo, naquilo que denomina-se contingências ambientais. Cada uma de nossas ações é explicada pela nossa história de vida, e por como elas foram "selecionadas" pelo ambiente no passado.

Com isso, o significado de nossas ações não está nelas mesmas, e sim nas contingências nas quais elas ocorreram durante a nossa vida. Em "O Comportamento Verbal", Skinner traça uma perspectiva interessantíssima e também bastante contestada sobre a aquisição e manutenção do comportamento verbal.

Ao desqualificar a Teoria da Comunicação, para a qual ocorre uma codificação de um significado que é trasmitido e decodificado pelo receptor, Skinner afirma que um significado não existe por si só; cada pessoa "dá" um significado a cada estímulo de acordo com a sua história de vida.

Entende-se por "reforço"a conseqüência ambiental que tende a aumentar a freqüência de um comportamento. Geralmente são conseqüências positivas ou agradáveis ao nosso comportamento. Portanto, ele define o comportamento verbal como aquele que é emitido por uma pessoa mas só pode ser reforçado pelo comportamento de outra pessoa. Por exemplo, se eu peço a alguém que acenda a luz, meu comportamento será reforçado pelo fato da outra pessoa acender a luz, caracterizando minha ação como verbal.

Essa brevíssima, e até certo ponto tosca, introdução foi necessária para permitir a compreensão de uma idéia relacionada à fotografia, especialmente quando a usamos como uma forma de "linguagem". De acordo com o pensamento behaviorista, uma descrição mais interessante seria a da fotografia como comportamento verbal.

Na verdade isso envolveria não apenas um comportamento, mas vários, desde fazer a foto até a revelação, impressão e apresentação. Quando um fotógrafo publica ou expõe uma foto, ele está se comportamento verbalmente, pois a exposição implica necessariamente num tipo de efeito desejado sobre o ouvinte, ou, nesse caso, espectador. Quando o fotógrafo tenta "desenvolver uma linguagem", ele está, na verdade, buscando formas efetivas de provocar um determinado efeito sobre o espectador, mesmo que esse espectador seja ele mesmo. Cabe aqui ressaltar que há uma discussão sobre a possibilidade de falante e ouvinte serem a mesma pessoa — eu considero que sim.

Quando se coloca uma foto na internet, isso é feito em função dos outros. O fotógrafo pode ser reforçado pela admiração dos outros ou por provocar uma reação específica (o que comumente se chama de transmitir uma mensagem).

O que considero relevante para a fotografia, então, é interessante pensar nos porquês do nosso comportamento em termos behavioristas. Primeiro, para quem fazemos nossas fotos, ou seja, quem pode reforçar nosso comportamento de fotografar e expor as foto? Segundo, que tipo de resposta seria a mais reforçadora para nós? E terceiro, como posso modificar meu comportamento futuramente para que a resposta dos outros (ou de mim mesmo) seja mais reforçadora para mim?

Pretendo escrever mais associando o behaviorismo à fotografia. Espero em próximos textos me aprofundar mais em outras questões que podem ser melhor esclarecidas. Por enquanto, deixo duas referências sobre o assunto:

Skinner, B. F. (1978). O comportamento verbal. São Paulo: Cultrix.
Skinner, B. F. (1982). Sobre o behaviosmo. São Paulo: Cultrix.

Blog EntryA Ilusão Especular - Arlindo MachadoSep 12, '06 8:09 PM
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Nessa última semana, li "A Ilusão Especular", de Arlindo Machado. No último ano venho lendo diversos livros sobre fotografia, mas poucos me levaram a uma reflexão tão intensa quanto esse. Machado é professor de comunicação e semiótica na USP e PUC/SP.

Ele propõe, a partir de uma visão marxista, a desconstrução do código fotográfico que, segundo ele, está impregnado da ideologia burguesa dominante, refletida especialmente na perspectiva central advinda do Renascimento.

A questão da luta de classes e seu reflexo na fotografia pode ser interessante, mas eu estava especialmente interessado na desconstrução da fotografia que ele sugere como necessidade para o engajamento e verdadeiro contato com o referente.

O autor explicita, de forma contundente, os diversos meandros da fotografia na sua tentativa de se manter como fiel representação da realidade, e consequentemente, na manutenção da perspectiva central como uma representação realista e desprovida de uma ideologia intrínseca. A partir daí, mostra imagens que obtiveram êxito em se desprender dessas armadilhas, denunciando o próprio mecanismo de ação do chamado "efeito especular".

Uma das questões centrais é o fato da fotografia, assim como as pinturas renascentistas, permitirem ao observador colocar-se no lugar do autor, tomando para si aquela perspectiva como real, sem perceber que seu olhar está preso e dirigido. A descosntrução desse processo implica necessariamente na denúncia desse movimento, produzindo imagens em que essa "transferência de subjetividade" não possa ocorrer, ao menos de imediato. Portanto, imagens em que a perspectiva é distorcida, ou que a leitura é difícil, servem a esse propósito.

De imediato associei essa questão ao que já discuti algumas vezes aqui, a "correção fotográfica". Todos os manuais de fotografia ensinam, primordialmente, como montar uma ilusão eficaz. A busca por melhores técnicas e equipamentos nada mais é do que do que a busca pela ilusão mais perfeita. E o fotógrafo iniciante, em suas primeiras fotos, pode cometer deslizes como um corte de cabeças ou deixar sua própria sombra aparecer na foto. De pronto, um fotógrafo mais calejado apontará esses erros "ingênuos". Ora, o que o iniciante fez, nesses casos, foi inocentemente denunciar a própria captura fotográfica, rompendo com o efeito especular. E o fotógrafo que o corrige, em nome de uma norma consensual, por vezes não percebe o que está envolvido nesse jogo.

Como finalização, deixo um trecho de uma entrevista do autor ao Jornal da USP, de 2001, que resume de forma clara a visão do autor sobre a fotografia:

"
Fotografia é a mais mal entendida de todas as mídias modernas. Isso é particularmente grave se considerarmos que ela é a base técnica e conceitual de grande parte das mídias de nosso tempo (cinema, vídeo, televisão etc.). No último capítulo de meu livro O Quarto Iconoclasmo, dedicado ao exame da fotografia, defendo a idéia de que esse meio não tem nada de 'espelho do real'. Ele é um 'texto' como outro qualquer, que se constrói através de uma articulação simples ou sofisticada de seus elementos expressivos. Não há nem mais nem menos 'manipulação' numa foto (e, por extensão, num documentário, numa imagem de telejornal) do que num texto jornalístico, numa pesquisa de sociologia ou num tratado de filosofia. Isso não quer dizer que não exista uma 'verdade', um "fato" do qual buscamos nos aproximar, seja fotografando, seja verbalizando, mas essa aproximação só pode ser uma construção, necessariamente coletiva, que se dá num amplo processo de negociação entre os sujeitos sociais."

Link para o Currículo Lattes do Arlindo Machado

Referência:
Machado, A. (1984). A Ilusão Especular. São Paulo: Brasiliense.

Imagem:
Cristo Entregando as Chaves a São Pedro, de Pietro Perugino. Capela Sistina, Vaticano.


Blog EntryExposição: Olhar Sobre o Itaim-BibiSep 11, '06 3:30 PM
for everyone
Hoje eu e a Tati montamos, na Biblioteca Municipal Anne Frank, a exposição com fotografias feitas no bairro do Itaim-Bibi, como parte das comemorações pelos 60 anos da Biblioteca.

Selecionamos 28 imagens de detalhes do bairro, feitas em sua maioria no quadrilátero formado pelas avenidas Nove de Julho, São Gabriel, Juscelino Kubitschek e Faria Lima. A idéia foi apontar os contrastes (visuais ou encobertos) existentes no bairro, a partir do qual pode se perceber e avaliar as suas características.

O Itaim é um lugar no qual existem prédios e flats de luxo, pequenas casas de vila, restaurantes e bares badalados e o comércio tradicional. Por conta disso, os frequentadores do bairro vão desde moradores antigos até jovens vindo de outras partes da cidade em busca de lazer.

Para evidenciar todas essas facetas, seria necessário mais do que uma mostra. Optamos por fazer um recorte nos detalhes arquitetônicos do bairro, especialmente do comércio. Tivemos que selecionar as fotos por conta de questões técnicas, e optamos por fazer apenas fotos digitais. Deixamos de lado algumas fotos em cromo e em negativo PB. Espero ainda poder usá-las em outra oportunidade.

Agradecimentos:
Grupo de Memórias do Itaim-Bibi, que idealizou e apoiou as manifestações artísticas das comemorações do aniversário da biblioteca.
Tangran Photo Service, onde foram feitas as impressões, como sempre, de alta qualidade.
Neusa Scaléa, que mais uma vez nos orientou e apoiou incondicionalmente.

Estou incluindo abaixo o convite para a exposição e uma das fotos expostas.



EventExposição: Olhar Sobre o Itaim-BibiSep 3, '06 5:57 PM
for everyone
Start:     Sep 11, '06 01:00a
End:     Sep 30, '06
Location:     Biblioteca Municipal Anne Frank, corredor de exposições
Caros amigos,

Convido para exposição de fotografias organizada por mim e por minha noiva, a arquiteta Tatiane Schilaro, sobre o bairro do Itaim-Bibi. A mostra faz parte das comemorações dos 60 anos da Biblioteca Municipal Anne Frank e tem o apoio do Grupo de Memórias do Itaim-Bibi.

Olhar Sobre o Itaim Bibi
Fotografias de Rodrigo Fernando Pereira e Tatiane Schilaro Santa Rosa
De 11 a 30 de setembro, das 9 às 16 horas.

Biblioteca Municipal Anne Frank
Rua Cojuba, 45
Tel. 3078-6352

Entrada gratuita


Blog EntryA Fotografia PublicitáriaSep 3, '06 5:25 PM
for everyone
Recentemente, venho trabalhando em um texto no qual estudo uma divisão da fotografia de acordo com diferentes abordagens de uso a partir de um mesmo paradigma. O texto ainda está incipiente, requer pesquisa e polimento. Ainda assim, resolvi colocar uma das seções aqui da forma como está hoje.

4. A fotografia utilitária
Toda fotografia, em última análise, é utilitária, pois serve a um propósito. O diferencial nessa categoria, no entanto, é que a sua finalidade dita de maneira clara a forma que a foto, como resultado final do processo, precisará ter. O uso não é conseqüecia da forma, ele é anterior. Nessa categoria se inserem, por exemplo, fotos para documentos, para fichas criminais, para estudos científicos, para catálogos de diversas naturezas e, em especial, a fotografia publicitária.

4.1. A fotografia publicitária
Esse uso da fotografia merece um destaque não por ser mais relevante, em termos históricos ou criativos, mas pela sua quantidade e pela influência que ela exerce na sociedade atual. Como toda fotografia utilitária, o uso da fotografia publicitária define sua forma.

A publicidade tem como objetivo fazer com que uma pessoa tenda a adotar uma certa atitude em relação a algo, seja um produto, uma idéia, ou uma outra pessoa (um político, por exemplo). Na maior parte das vezes, isso significa consumir um produto. Ao longo do tempo, as propagandas passaram por diversas reinvenções, sempre com o intuito de provocar melhores respostas nas pessoas em direção a uma determinada atitude. Para isso, o expediente mais utilizado é associar uma idéia ou uma sensação de ganho, de prazer, a um determinado produto. Como o frescor do creme dental, o conforto de uma tecnologia, a sensação de poder de um carro, a sensualidade de uma roupa, a alegria da cerveja etc. Esses conceitos, geralmente, são transmitidos através de imagens, construídas sob medida para aquela finalidade. Portanto, a forma é essencial. Nem as pessoas, nem os produtos, podem ter defeitos. Para isso, usa-se a maquiagem, a luz certa, os retoques e objetos em escala exagerada. A propaganda cria uma realidade ampliada, hiperbólica, hiper-realista, voltada para o impacto, para a sensação.

Uma das conseqüências irônicas desse expediente é que nos dessensibilizamos. Com tanta estimulação, já não somos sensíveis e receptivos da mesma forma. Por isso, as imagens têm que ser cada vez mais impactantes, perfeitas, coloridas, chocantes. Ou isso ou ninguém reparará mais nelas. Uma segunda conseqüência é que essa hiper-realidade ideal disseminada pela publicidade acaba por penetrar no imaginário das pessoas, que passam a adotar, individualmente, aquele mundo como ideal pessoal. Isso gera uma insatisfação com o real “verdadeiro” e impele a pessoa a uma espiral de consumo a fim de atingir esse ideal que nunca será alcançado.

É importante, para esse propósito, que as imagens pareçam reais, para justamente atestar que aquele ideal existe e pode ser alcançado — desde que você esteja disposto a consumir. Para isso, nada melhor do que a fotografia, com seu status de verdade, especialmente quando é ampliada e retocada de forma a eliminar quaisquer imperfeições.

Hoje, no entanto, através de recursos de computação gráfica que tornaram as montagens e edições de fotos muito mais fáceis, e seguindo a perspectiva hiper-realista, a publicidade hoje envolve superproduções que tomam como elementos de composição fotografias, arte digital e outras mídias, extirpando o caráter unitário e autônomo dessas ferramentas, como será descrito na próxima seção. A ironia maior é que, naquilo que você paga por um produto, está embutido o custo que a empresa teve para convencê-lo a comprar.

Imagem: Cecília Alegro


Blog EntryOlympus Trip 35Aug 28, '06 9:04 AM
for everyone
Há meses namoro uma Canonet para fotografia de rua. Como acho difícil encontrar alguma em boas condições por aqui, e aquelas que estão custam mais do que valem (há uma por R$ 400 no mercado livre), penso em comprar uma no ebay por cerca de 50-100 dólares. Enquanto não realizo meu sonho de consumo, peguei uma Olympus Trip 35 emprestada. Aproveitando o encontro do pessoal do Digiforum ontem no Parque do Ibirapuera, bati um rolo de ProImage 100 que devo revelar ainda hoje.

A câmera não tem praticamente nenhum ajuste: 2 velocidades fixas, abertura de f/2.8 a f/22 automática (exceto para flash, quando ela possibilita seleção de abertura e fixa a velocidade em 1/40), quatro pontos de foco (1m, 1.5m, 3m e ∞). Lente de 40 mm, fixa.

Estava curioso (e ainda estou) para saber que tipo de fotos eu conseguiria obter com tantas limitações. Com ela, é preciso colocar praticamente tudo que se sabe sobre técnica fotográfica de lado e atentar para aquilo que se pode controlar: a composição, corte etc. Além do tamanho interessante (cabe num bolso grande), é muito diferente, depois de estar acostumados com reflex, usar uma câmera que só faz um minúsculo "click".

Mais impressões e algumas fotos resultantes da experiência estão em:
http://rfpereira.multiply.com/photos/album/19


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